EM TOM DE ELEGIA ©
O sol coxeia o céu – está no nascente.
Mordendo a poeira das estradas,
Olhando as nuvens desgrenhadas
O Bongui vem andando lentamente.
Limpeza eterna: era o seu rogo diário.
Vinha ele d’além dos Portais
Para prestar labor sanitário.
Tinha ele licenças municipais:
Para levantar os dejectos nocturnos
E (sem licença) nutrir os peixes soturnos.
Hoje – o seu ganho ou o seu descaminho:
É a sua mais que perfeita imprecisão,
Gravada no gesso da minha recordação:
Daquele tempo reprovado – daquele daninho!
© Berardo Pinto Pereira
21 de Maio de 2003