A ROSA DA AUSÊNCIA ©
Não a colho:
É uma rosa vermelha
Incendeia a secura do meu grelo.
Uma rosa do luto,
Cheia do sentimento.
Limito-me a vê-la – na sua rotação
Com hesitação.
Embarco no rumo que ela me indica:
O porto dos teus braços,
Onde abalam as marés dos mimos.
Mas se a tua ausência me oferece esta rosa,
De que me servem os seus espinhos?
Lambo devagar a sua chaga,
Sentindo o correr do meu ardor.
O sangue fresco do nosso fulgor,
Um brasão vivo - o fogo não se apaga.
Da brancura das cinzas soltam os ventos
Que me empurram nos anseios.
Leve-me para os teus lábios,
A quem a rosa roubou a mais pura cor.
Abraço então o teu corpo de flor,
Roubando a rosa o gozo da sua dor.
© Berardo Pinto Pereira
27 de Maio de 2003